"Julgamos ser fecunda a ideia de que a vida social deve ser explicada, não pela concepção que tem a seu respeito os que participam nela, mas por causas profundas que escapam à consciência"
Durkheim
Considerando o pensamento de Durkheim quando ele reconhece a Marx o mérito de explicar a sociedade mostrando a ilusão da transparência. Isso acontece quando pensamos estar consciente da realidade quando na verdade apenas temos ilusões. Por isso a necessidade e suma importância da educação e pesquisa para esclarecimento e ressignificação de conceitos pré estabelecidos em nós, muitas vezes sem nenhum fundamento ou baseado em fundamentos equivocados.
Sendo assim apresento a vocês um breve resumo sobre o que é o machismo considerando o texto de Tatiane Lima (Estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.)
Sendo assim apresento a vocês um breve resumo sobre o que é o machismo considerando o texto de Tatiane Lima (Estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.)
A
origem da opressão às mulheres, está na divisão da sociedade em classes
A submissão social das mulheres não
é uma lei natural, o único resultado possível das relações humanas e nem é
a-histórica, como tentam defender alguns setores fundamentalistas e conservadores.
A opressão às
mulheres se insere na história da luta de classes e possui bases materiais.
Em 1884, o revolucionário alemão Friedrich Engels afirmou, através do seu
livro A
origem da família, da propriedade privada e do Estado, que a opressão à
mulher tem uma origem, ou seja, que não existiu sempre, baseado nos estudos
de seu companheiro Karl Marx, também revolucionário alemão.
Esse é um livro
bastante criticado nos círculos acadêmicos, sobretudo na área da
Antropologia, por conter algumas classificações imprecisas, que propagam a
noção de “evolução social”, o que coloca o desenvolvimento humano uma linha
histórica padronizada e sem considerações às diversidades culturais. Essas
classificações expressam a influência das ideias mais “eurocentradas” da
época, no século XIX, que tinham Lewis Morgan como um dos principais
representante do que foi chamado de evolucionismo. No entanto, além dessas
imprecisões não influírem sobre o conteúdo fundamental da discussão de
classes, Engels é dialético em sua observação a respeito da análise de
Morgan: “(...) e sua classificação permanecerá em vigor até que uma riqueza
de dados muito mais considerável nos obrigue a modificá-la”, bem como sua
análise materialista nos permite compreender as origens da opressão e permanece
válida.
As
bases materiais da Opressão: Da propriedade comum à propriedade privada
Segundo Engles, a
organização social tinha por objetivo, na sociedade sem classes e sem o
Estado, garantir a existência dos membros do grupo. O desenvolvimento dos
meios de produção era completamente associado à aquisição de alimentos e
reprodução da vida. Ambas tarefas eram vitais ao grupo social, suas
aquisições e produções eram propriedade de todos os membros, eram
“propriedade comum”.
Engels aponta que a
primeira divisão social do trabalho, o pastoreio, gerou a primeira divisão da
sociedade em classes. A criação de animais permitiu a maior produção de
alimento, maiores quantidades de carne, leite, lãs e peles, que gerou o
acúmulo de um “excedente” na produção. O trabalho humano produziu além do
necessário à existência, isso permitiu pela primeira vez a troca regular de
produtos e, ao mesmo tempo, exigiu uma soma maior de trabalho diário que foi
suprida através da escravidão dos prisioneiros das guerras. Nasce então a
relação entre senhores e escravos, entre exploradores e explorados.
Com o
desenvolvimento da criação de animais, houve uma importante transformação na
família. A providência da alimentação era “um assunto do homem”, bem como a
ele pertenciam os instrumentos produzidos para isso, assim como pertenciam às
mulheres os utensílios e ferramentas domésticas. Com os rebanhos como nova
fonte de alimentos e utilidades, estes, bem como as mercadorias e escravos
que obtinha em troca deles, todo o excedente da produção, passou a ser de
posse do homem. A mulher tinha participação no consumo, porém não na
propriedade, que agora era privada. Como afirmou Engels “O
pastor, envaidecido com a riqueza, tomou o primeiro lugar, relegando a mulher
para o segundo. E ela não podia reclamar. A divisão do trabalho na família
havia sido a base para a distribuição da propriedade entre homem e mulher.
Essa divisão do trabalho na família continuava sendo a mesma, mas agora
transtornava as relações domésticas, pelo simples fato de ter mudado a
divisão do trabalho fora da família”.
Essa transformação
material, o advento da propriedade privada, levou a transformações sociais
profundas e a antagonismos nas relações que antes se davam sem uma hierarquia
de valores. O homem acumulou riquezas e poder, elevando a sua posição nos
âmbitos sociais de produção da vida a um status “superior”, enquanto a vida
das mulheres ficou relegada aos âmbitos privados e o trabalho doméstico
subvalorizado. Estamos então diante do patriarcado, a forma de opressão e
confinamento das mulheres em relação aos homens.
Patriarcado
e Capitalismo
A opressão às
mulheres não surgiu no capitalismo, mas adquiriu neste modo de produção
traços particulares. O capitalismo converteu o patriarcado em um aliado
indispensável para a exploração e a manutenção do status quo (manutenção da
situação de dominação estável). O capitalismo, baseado na exploração e
opressão de milhões de pessoas no mundo inteiro, introduziu as mulheres e as
crianças em sua maquinaria de exploração.
As mulheres passaram então a ser
parte da produção social da vida quando inclusas no mercado trabalhista, mas
as bases ideológicas e materiais da opressão permaneceram. As mulheres seguem
inferiorizadas enquanto seres humanos, elas são as maiores responsáveis pelos
cuidados da casa e dos filhos e recebem salários menores que os dos homens
para a realização do mesmo trabalho. Também a ação enquanto sujeito social
permanece em grande escala nas esferas masculinas, já que é reforçada a falsa
concepção de que as mulheres são inferiores e sua opinião não interessa.
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http://www.esquerdadiario.com.br/A-origem-da-opressao-as-mulheres-esta-na-divisao-da-sociedade-em-classes
Acessado em: 18/07/18

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