sábado, 28 de julho de 2018

Referencias e dicas de leitura









 LEITURAS: FEMINISMO E MARXISMO

As leituras sugeridas contam com link para dropbox. As mesmas nos ajudam a compreender a mulher na sociedade de classes e a luta feminista.

* Ontogênese e filogênese de gênero - Helleieth Saffioti
* A família e o estado socialista - Alexandra Kollontai
* Lenin e o Movimento Socialista - Clara Zetkin
* O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir
* Sexo contra Sexo ou Classe contra Classe - Evelyn Reed
* A mulher na sociedade de classes - Helleieth Saffioti
https://www.dropbox.com/…/A%20mulher%20na%20sociedade%20de%…
* Feminismo, luta de classes e consciência militante no Brasil - Mirla Cisne
https://www.dropbox.com/…/FEMINISMO%2C%20LUTA%20DE%20CLASSE…
* A mulher e a moral sexual - Alexandra Kollontai
https://www.dropbox.com/…/Alexandra%20Kolontai%20_%20A%20no…
* Violência de gênero no Brasil Atual - Heleieth Saffioti
https://www.dropbox.com/s/p23w…/violencia%20de%20genero.PDF…

Feminismo é luta de classes


Adicionar legenda

Considerando todo o conteúdo exposto, podemos ver a necessidade do analisar o feminismo na perspectiva marxista considerando pensar o feminismo como um movimento único consiste em equívoco, semelhante ao considerar a história dos movimentos de esquerda como uniforme. O que devemos entender é que o feminismo caminha pelos percursos da luta de classes e pelas diversas ideologias, e devemos estar atentas aos diversos discursos retendo apenas o que realmente for luta. Concluo com a fala de Trotsky que diz: 
Mas é evidente que uma reconstrução radical do modo de vida (libertar a mulher de sua situação de escrava doméstica, educar as crianças em um espírito coletivista, libertar o casamento das imposições econômicas etc.) não é possível senão à medida que as formas socialistas da economia substituam as formas capitalistas. (…) o socialismo significa a expansão da cultura, de uma verdadeira cultura sem classes, de uma cultura humana e humanitária. (TROTSKY. Questões do modo de vida)

Ainda sobre o Feminismo...



Devemos considerar que o feminismo é um discurso intelectual, filosófico e político que tem como meta os direitos iguais e a proteção das mulheres, independentemente de cor de pele, religião, orientação sexual e nível social. 
Entretanto,precisamos entender que o feminismo tem várias ramificações que o diferem, às vezes, de uma para a outra, se encontram quanto ao principal propósito que é pela luta por igualdade. Mas, cabe destacar que até no próprio feminismo existe uma luta de classes e, portanto há um notável entrave no que diz respeito ao movimento feminista multiculturalista. De acordo a María Lugones, que faz uma denuncia em seu artigo “Multiculturalismo radical e feminismo de mulheres de cor” (2005) onde ela relata sobre o “multiculturalismo ornamental” e os “feminismos brancos burgueses como parte da hegemonia cultural ocidental”. Ela retrata a questão dos feminismos que dizem incorporar as diferenças numa falsa universalização, quando na verdade esse tipo de feminismo enxerga apenas a dominação da mulher branca. Ela cita:  
As feministas brancas burguesas, ao ignorar a relação entre sua própria formação de gênero e a formação de gênero das mulheres não-brancas, entendiam a lógica de “mulher” categorialmente: há somente dois gêneros, e “mulher” tem um significado unívoco. Como vimos acima, as mulheres brancas burguesas entendiam as particularidades da opressão das mulheres brancas burguesas como inscritas no próprio significado da categoria “mulher” […] Dessa forma, compreender a intersecção das opressões de gênero, classe, sexo e raça nos capacita para reconhecer as relações de poder entre as mulheres brancas e as de cor. Mas também nos capacita para ver efetivamente as mulheres de cor sob a opressão ali onde a compreensão categorial de “mulher”, tanto no feminismo branco como no patriarcado dominante, oculta sua opressão. (LUGONES, 2005, p. 66-67) (tradução livre)


Assim sendo, podemos trazer também a discussão sobre, se o desejo de igualdade e respeito só se aplica as mulheres heterossexuais e de classe média? Podemos considerar que de acordo as etnias e posição sociais as mulheres apresentam experiências bastante diferenciadas. De acordo aos marxistas, é de suma importância que ocorra um movimento na sociedade com o propósito de modificar a opressão sobre a mulher, por sinal, muito perversa na materialidade e na discursividade.  Devemos despertar a consciência de classe, promovendo a organização da classe para a ação, ai está à necessidade de se propagar cada vez mais uma educação histórica socialista.

 

Concordam ou discordam com esta afirmativa?


Repressão sexual da mulher


Ainda sobre o machismo, apresento-lhes outro texto de Fabio Veronesi que retrata a questão da repressão sexual da mulher, sobre as roupas...

 

LUTA CONTRA O MACHISMO

“A luta contra o machismo está intrinsecamente relacionada à luta contra a repressão sexual porque o machismo se define a partir de uma moral repressora da sexualidade espontânea. No machismo arcaico, rudimentar, passado, pré feminista, encontramos a mulher obrigada a permanecer virgem até o casamento e depois casada por imposição com um homem a quem deveria ser fiel. A possibilidade de encontrar plenitude e satisfação afetiva sexual, dentro das restritas opções que tal quadro impunha, eram mínimas. Questão de loteria: casar sem ter tido a possibilidade de conhecer outras pessoas, sem experiência sexual, com alguém que não se escolheu e obrigada a permanecer nesse lugar, sem possibilidade de segunda chance.
A tensão entre moralismo repressor da livre sexualidade e a expressão da mulher é bem expressa na questão das roupas. A minissaia, o decote, a roupa colante, que valoriza o corpo. A mulher se veste como quem diz aos homens: corpo existe, desejo existe. Os homens se vestem quase sempre como robôs. Principalmente o homem capitalista neoliberal, o “homem de negócios”. As roupas dos homens geralmente os tornam mais retos, quadrados, escondem suas curvas. O papel clássico do homem dentro do regime de criação machista é o de repressor da sexualidade das mulheres.
Tudo isso mudou muito com a revolução feminista do século passado – uma revolução sexual, assim como a ancestral revolução de costumes que nos humanizou. A continuidade dessa revolução no início deste século representa a luta pela retomada do processo de humanização, rumo a uma sociedade onde seja possível resgatar a plena capacidade de amar do ser humano. Falar hoje em revolução sexual significa falar em revolução amorosa, para o amor, pró-amor, no sentido de promover criação, educação e ambiente social que facilite e incentive as trocas amorosas em todos as esferas relacionais.” 

 


Sobre o Feminismo Marxista


Agora trago um belíssimo texto de Chris Harman sobre a importância de se entender o feminismo marxista.

Marxismo e Feminismo
Chris Harman

Existem duas diferentes de abordar a questão da liberação das mulheres: o feminismo e o socialismo revolucionário. O feminismo é a influência dominante nos movimentos de mulheres que emergiram nos países capitalistas avançados durante os anos 1960 e 1970. Parte da visão de que os homens sempre oprimiram as mulheres; que é a constituição biológica e psíquica dos homens que os fazem tratar as mulheres como inferiores. Isto leva à ideia de que a libertação das mulheres só será possível separando-as dos homens; é a separação total daquelas feministas que falam de um «estilo de vida liberado», ou da separação parcial das mulheres em comissões de mulheres ou em reuniões que não sejam mistas.
Muitas daquelas que apóiam esta separação parcial consideram a si mesmas como feministas socialistas. Mas, depois, as ideias feministas radicais da total separação fizeram a sua aparição nos movimentos das mulheres. Estas ideias, com o tempo, tiveram menos eco, para finalmente serem defendidas por uma pequena minoria. Estas falhas levaram muitas feministas para outra direção: para o Partido Socialista. Elas acreditavam que colocando mulheres em cargos como deputados, permanentes sindicais ou vereadores, iriam de alguma forma ajudar as mulheres a alcançar a igualdade.
A tradição do socialismo revolucionário parte de uma perspectiva diferente. Marx e Engels, em escritos que datam de 1848, mostraram que a opressão sobre as mulheres não surgiu da cabeça dos homens, mas do desenvolvimento da propriedade privada e, com ele, da emergência de uma sociedade de classes. Para eles, a luta pela emancipação das mulheres é inseparável da luta pelo fim da sociedade de classes, isto é, da luta pelo socialismo.
Marx e Engels também fizeram notar que o desenvolvimento do capitalismo, baseado nas fábricas, trouxe profundas mudanças na vida das pessoas e, especialmente, na vida das mulheres. Foram reintroduzidas na produção, de onde tinham sido progressivamente excluídas com o desenvolvimento da sociedade de classes.
Isto deu às mulheres um potencial de luta que nunca antes tiveram. Organizadas coletivamente, as mulheres como trabalhadoras tinham maior capacidade e independência de lutar pelos seus direitos. Isto significava um enorme contraste em relação às suas vidas anteriores, quando o seu principal papel na produção, cuidando da família, as tornava completamente dependentes de seus maridos ou pais.
Disto, Marx e Engels concluíram que as bases materiais para a existência da família e, portanto da opressão das mulheres, já não existia. O que impedia as mulheres de se beneficiarem desta situação era que a propriedade permanecia nas mãos de uns poucos. O que mantém as mulheres sob opressão hoje é como o capitalismo está organizado, em particular, o modo como o capitalismo usa a família para garantir que os trabalhadores procriem uma nova geração de trabalhadores. Do ponto de vista da classe dominante é muito vantajoso pagar os homens (e cada vez mais mulheres) pelo seu trabalho, enquanto as mulheres permaneçam, gratuitamente, trabalhando para que os homens fiquem em condições de irem ao seu trabalho e que e que os seus filhos sejam criados por elas para fazer o mesmo.
A sociedade socialista, pelo contrário, tomará conta de muitas das funções que pesam sobre as mulheres.
Isto não significa que Marx e Engels e os seus sucessores vieram a desejar “a abolição da família”. Os defensores da família têm sido capazes de mobilizar uma parte significativa das mulheres mais oprimidas que podem entender como “abolição da família” dar licença aos maridos para abandoná-las com as responsabilidades com as crianças. Os socialistas revolucionários têm tentado sempre mostrar que, ao contrário, numa sociedade socialista, as mulheres não seriam obrigadas à vida miserável que lhes dá a família moderna.
As feministas sempre rejeitaram esse tipo de análise. Longe de se aproximar às mulheres quando têm o poder de mudar a sociedade e acabar com a sua opressão - ali onde elas são coletivamente fortes, no trabalho — elas as entendem como vítimas. No início dos anos 80, por exemplo, foram feitas campanhas que abordavam questões como a prostituição, as violações ou a ameaça das armas nucleares sobre as mulheres e as famílias. Tudo isso parte da ideia de que as mulheres são fracas.
O feminismo pressupõe que a opressão está acima da divisão da sociedade em classes. Isto leva à conclusões que deixam o sistema intacto, enquanto melhoram a situação de algumas mulheres, uma minoria. Os movimentos de libertação das mulheres foram frequentemente dominados por mulheres da “nova classe média”, jornalistas, escritoras, professoras e executivas, enquanto secretárias e obreiras são deixadas de lado.
É apenas durante períodos de mudança radical e explosões revolucionárias que a questão da libertação das mulheres torna-se realidade, não apenas para uma minoria, mas também para todas as trabalhadoras. A Revolução Bolchevique de 1917 produziu uma igualdade como nunca antes se vira. O divórcio, o aborto e a contracepção estavam livremente disponíveis. A educação das crianças tornaram-se responsabilidade da sociedade. Iniciou-se a utilização de restaurantes, lavanderias e infantários comunitários, que davam às mulheres maior possibilidade de escolher e controlar as suas vidas. Claro que o destino destes avanços não poderia ser separado do da própria revolução. A fome, a guerra civil, a dizimação da classe obreira e o fracasso da revolução internacional significaram o fim do socialismo na Rússia. Os avanços foram revertidos.
Mas os primeiros anos da República Soviética mostraram o que a revolução socialista pode conquistar, até mesmo nas piores condições. Hoje em dia, as perspectivas para a libertação feminina são ainda melhores. Na França e igual nos outros países desenvolvidos, mais que dos trabalhadores em cinco são mulheres. A emancipação das mulheres só poderá ocorrer através do poder coletivo da classe operária. Isto significa rejeitar a ideia feminista de criar organizações separadas de mulheres. Só os trabalhadores, homens e mulheres, atuando em conjunto num movimento revolucionário poderão destruir a sociedade de classes e com ela a opressão sobre as mulheres.

O que é o machismo?


"Julgamos ser fecunda a ideia de que a vida social deve ser explicada, não pela concepção que tem a seu respeito os que participam nela, mas por causas profundas que escapam à consciência"  
Durkheim


Considerando o pensamento de Durkheim quando ele reconhece a Marx o mérito de explicar a sociedade mostrando a ilusão da transparência. Isso acontece quando pensamos estar consciente da realidade quando na verdade apenas temos ilusões. Por isso a necessidade e suma importância da  educação e pesquisa para esclarecimento e ressignificação de conceitos pré estabelecidos em nós, muitas vezes sem nenhum fundamento ou baseado em fundamentos equivocados.

Sendo assim apresento a vocês um breve resumo sobre o que é o machismo considerando o texto de Tatiane Lima (Estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.)



A origem da opressão às mulheres, está na divisão da sociedade em classes
A submissão social das mulheres não é uma lei natural, o único resultado possível das relações humanas e nem é a-histórica, como tentam defender alguns setores fundamentalistas e conservadores.

A opressão às mulheres se insere na história da luta de classes e possui bases materiais. Em 1884, o revolucionário alemão Friedrich Engels afirmou, através do seu livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, que a opressão à mulher tem uma origem, ou seja, que não existiu sempre, baseado nos estudos de seu companheiro Karl Marx, também revolucionário alemão.
Esse é um livro bastante criticado nos círculos acadêmicos, sobretudo na área da Antropologia, por conter algumas classificações imprecisas, que propagam a noção de “evolução social”, o que coloca o desenvolvimento humano uma linha histórica padronizada e sem considerações às diversidades culturais. Essas classificações expressam a influência das ideias mais “eurocentradas” da época, no século XIX, que tinham Lewis Morgan como um dos principais representante do que foi chamado de evolucionismo. No entanto, além dessas imprecisões não influírem sobre o conteúdo fundamental da discussão de classes, Engels é dialético em sua observação a respeito da análise de Morgan: “(...) e sua classificação permanecerá em vigor até que uma riqueza de dados muito mais considerável nos obrigue a modificá-la”, bem como sua análise materialista nos permite compreender as origens da opressão e permanece válida.
As bases materiais da Opressão: Da propriedade comum à propriedade privada
Segundo Engles, a organização social tinha por objetivo, na sociedade sem classes e sem o Estado, garantir a existência dos membros do grupo. O desenvolvimento dos meios de produção era completamente associado à aquisição de alimentos e reprodução da vida. Ambas tarefas eram vitais ao grupo social, suas aquisições e produções eram propriedade de todos os membros, eram “propriedade comum”.
Engels aponta que a primeira divisão social do trabalho, o pastoreio, gerou a primeira divisão da sociedade em classes. A criação de animais permitiu a maior produção de alimento, maiores quantidades de carne, leite, lãs e peles, que gerou o acúmulo de um “excedente” na produção. O trabalho humano produziu além do necessário à existência, isso permitiu pela primeira vez a troca regular de produtos e, ao mesmo tempo, exigiu uma soma maior de trabalho diário que foi suprida através da escravidão dos prisioneiros das guerras. Nasce então a relação entre senhores e escravos, entre exploradores e explorados.
Com o desenvolvimento da criação de animais, houve uma importante transformação na família. A providência da alimentação era “um assunto do homem”, bem como a ele pertenciam os instrumentos produzidos para isso, assim como pertenciam às mulheres os utensílios e ferramentas domésticas. Com os rebanhos como nova fonte de alimentos e utilidades, estes, bem como as mercadorias e escravos que obtinha em troca deles, todo o excedente da produção, passou a ser de posse do homem. A mulher tinha participação no consumo, porém não na propriedade, que agora era privada. Como afirmou Engels “O pastor, envaidecido com a riqueza, tomou o primeiro lugar, relegando a mulher para o segundo. E ela não podia reclamar. A divisão do trabalho na família havia sido a base para a distribuição da propriedade entre homem e mulher. Essa divisão do trabalho na família continuava sendo a mesma, mas agora transtornava as relações domésticas, pelo simples fato de ter mudado a divisão do trabalho fora da família”.
Essa transformação material, o advento da propriedade privada, levou a transformações sociais profundas e a antagonismos nas relações que antes se davam sem uma hierarquia de valores. O homem acumulou riquezas e poder, elevando a sua posição nos âmbitos sociais de produção da vida a um status “superior”, enquanto a vida das mulheres ficou relegada aos âmbitos privados e o trabalho doméstico subvalorizado. Estamos então diante do patriarcado, a forma de opressão e confinamento das mulheres em relação aos homens.
Patriarcado e Capitalismo
A opressão às mulheres não surgiu no capitalismo, mas adquiriu neste modo de produção traços particulares. O capitalismo converteu o patriarcado em um aliado indispensável para a exploração e a manutenção do status quo (manutenção da situação de dominação estável). O capitalismo, baseado na exploração e opressão de milhões de pessoas no mundo inteiro, introduziu as mulheres e as crianças em sua maquinaria de exploração.
            As mulheres passaram então a ser parte da produção social da vida quando inclusas no mercado trabalhista, mas as bases ideológicas e materiais da opressão permaneceram. As mulheres seguem inferiorizadas enquanto seres humanos, elas são as maiores responsáveis pelos cuidados da casa e dos filhos e recebem salários menores que os dos homens para a realização do mesmo trabalho. Também a ação enquanto sujeito social permanece em grande escala nas esferas masculinas, já que é reforçada a falsa concepção de que as mulheres são inferiores e sua opinião não interessa.

Sobre o Blog






O propósito deste blog é trazer uma discussão relativa ao machismo feminino, considerando que, devido essa ideologia esta já há tanto tempo inserida em nossas sociedades, por vezes não percebemos que nós mulheres estamos reproduzindo este discurso machista tão cruel. Como isto ocorre? Mulheres podem agir como um machista?
Infelizmente, posso afirmar que sim. Esta ideologia perversa vem se perpetuando ao longo dos anos, fazendo parecer que é algo que existiu desde sempre e para sempre. Sendo assim, algumas gerações absorveram de tal forma esta maldição que reproduzem inconscientemente, e às vezes conscientemente, para as novas gerações. O que devemos entender é que nossa luta não é contra pessoas e sim contra um sistema cruel, uma ideologia capitalista perversa e separatista. Assim sendo, entendo que é possível acabar com o machismo, compreendendo que a questão não é aniquilação dos homens, discordo totalmente dessa ideia e de pensar que ser feminista seja uma questão de disputa entre sexos, para mim isso não é ser feminista, é apenas uma reprodução do machismo. Portanto, penso que para acabar com o machismo, é de suma importância considerar que o único caminho é o caminho da educação para compreender a questão de lutas de classes. Para isso, devemos conhecer a história do machismo, conhecer o que é e qual a real finalidade do feminismo, considerando uma perspectiva marxista.
Mas, vamos voltar à pergunta acima? Como percebemos atitudes machistas no publico feminino? Nós mulheres somos submetidas diariamente a uma porção de exigências, cobranças, julgamentos, assédios por todos os lados... Através da mídia, pelo capitalismo através dos shoppings, supermercados nos empurrado goela abaixo a ditadura da beleza. Determinando como temos que ser e agir, qual o corpo ideal, o modo de vestir, o tipo de cabelo ideal, etc. E o mais cruel foi à criação de competição que criaram entre nós mulheres para nos autodestruir. A partir do momento que chamamos umas as outras de vagabundas, fúteis, gordas, feia, entre outros termos pejorativos, estamos reforçando e alimentando o machismo. Quando julgamos as outras mulheres pondo em duvida sua capacidade intelectual tecendo comentário como: “se ela conseguiu destaque profissional, provavelmente se envolveu sexualmente com o chefe”, infelizmente ouvimos isso de mulheres também... quando julgamos outras mulheres pela maneira como elas se relacionam com seus maridos, namorados... quando passamos horas e horas criticando violentamente as escolhas de nossas amigas em relação ao parto, a quantidades de filhos que optou em ter, ou não querer ter filhos,a opção de casar ou não, a forma que gasta seu dinheiro, ou por exemplo, aquela que optou em deixar de trabalhar para cuidar da casa do filho e marido, por que não?  Ou aquela que continua trabalhando e deixa seus filhos com babá... A triste realidade é que muitas mulheres não pensam duas vezes antes de destruir a autoestima de uma semelhante. Devemos considerar que é uma atitude extremamente machista essa tentativa de destruir a autoestima de outra mulher. Esta mais que na hora de acabarmos com o machismo, para isso, acredito eu, é necessários começarmos desconstruindo esse pensamento na cabeça das mulheres através do conhecimento sobre o fato, em seguida empoderando-as!
Para finalizar este breve contexto, é relevante trazer também a questão de como reproduzimos o machismo na criação de nossas crianças. Fazemos isso no dia a dia quando repetimos para nossas crianças frase como: "Homem tem que ser cavalheiro com as mulheres", o que se deve ser ensinado é que todos os homens devem tratar as mulheres da mesma forma que devem tratar qualquer outra pessoa com respeito e gentileza, não é questão de ser cavalheiro ou não, é questão de ser humano com iguais direitos. Outra questão é quando diz ao menino: "Seja homem" ou “Homem não chora”, esses tipos de afirmativas impõe a criança que ela se comporte com agressividade e fazendo uso de poder, inibindo seus mais simples sentimentos, devemos entender que cada ser humano tem características próprias, únicas e deve ter a possibilidade de se expressar da maneira que preferir. Também quando dizemos as nossas meninas: "Meninas devem se dar o respeito", vamos entender de uma vez por todas que todo e qualquer cidadão  tem o direito a ser respeitado e o dever de respeitar o outro independentemente de sexo. E não cabe a ninguém julgar atitude, roupa ou postura de uma mulher.

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Kell Smith - Ai De Mim (Áudio Oficial)