Feminismo, Marxismo e Educação.
domingo, 29 de julho de 2018
sábado, 28 de julho de 2018
Referencias e dicas de leitura
As leituras sugeridas contam com link para dropbox. As mesmas nos ajudam a compreender a mulher na sociedade de classes e a luta feminista.
* Ontogênese e filogênese de gênero - Helleieth Saffioti
* A família e o estado socialista - Alexandra Kollontai
* Lenin e o Movimento Socialista - Clara Zetkin
* O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir
* Sexo contra Sexo ou Classe contra Classe - Evelyn Reed
* Mulher, raça e classe - Angela Davis
https://www.dropbox.com/s/…/davis._mulher_raca_e_classe.pdf…
https://www.dropbox.com/s/…/davis._mulher_raca_e_classe.pdf…
* A mulher na sociedade de classes - Helleieth Saffioti
https://www.dropbox.com/…/A%20mulher%20na%20sociedade%20de%…
https://www.dropbox.com/…/A%20mulher%20na%20sociedade%20de%…
* Feminismo, luta de classes e consciência militante no Brasil - Mirla Cisne
https://www.dropbox.com/…/FEMINISMO%2C%20LUTA%20DE%20CLASSE…
https://www.dropbox.com/…/FEMINISMO%2C%20LUTA%20DE%20CLASSE…
* O enigma da igualdade - Joan Scott
https://www.dropbox.com/…/JOAN%20SCOTT%20o%20enigma%20da%20…
https://www.dropbox.com/…/JOAN%20SCOTT%20o%20enigma%20da%20…
*Dossiê mulheres negras
https://www.dropbox.com/s/…/livro_dossie_mulheres_negras.pd…
https://www.dropbox.com/s/…/livro_dossie_mulheres_negras.pd…
* A mulher e a moral sexual - Alexandra Kollontai
https://www.dropbox.com/…/Alexandra%20Kolontai%20_%20A%20no…
https://www.dropbox.com/…/Alexandra%20Kolontai%20_%20A%20no…
* Violência de gênero no Brasil Atual - Heleieth Saffioti
https://www.dropbox.com/s/p23w…/violencia%20de%20genero.PDF…
https://www.dropbox.com/s/p23w…/violencia%20de%20genero.PDF…
Feminismo é luta de classes
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Considerando todo o conteúdo exposto, podemos ver a necessidade do analisar o feminismo na perspectiva marxista considerando pensar o feminismo como um movimento único consiste em equívoco, semelhante ao considerar a história dos movimentos de esquerda como uniforme. O que devemos entender é que o feminismo caminha pelos percursos da luta de classes e pelas diversas ideologias, e devemos estar atentas aos diversos discursos retendo apenas o que realmente for luta. Concluo com a fala de Trotsky que diz:
Mas é evidente que
uma reconstrução radical do modo de vida (libertar a mulher de sua situação de
escrava doméstica, educar as crianças em um espírito coletivista, libertar o
casamento das imposições econômicas etc.) não é possível senão à medida que as
formas socialistas da economia substituam as formas capitalistas. (…) o
socialismo significa a expansão da cultura, de uma verdadeira cultura sem
classes, de uma cultura humana e humanitária. (TROTSKY. Questões do modo de
vida)
Ainda sobre o Feminismo...
Devemos considerar que o feminismo é um discurso intelectual,
filosófico e político que tem como meta os direitos iguais e a proteção das
mulheres, independentemente de cor de pele, religião, orientação sexual e nível social.
Entretanto,precisamos entender que o feminismo tem várias ramificações que o diferem, às vezes, de uma para a outra, se encontram quanto ao principal propósito que é pela luta por igualdade. Mas, cabe destacar que até no próprio feminismo existe uma luta de classes e, portanto há um notável entrave no que diz respeito ao movimento feminista multiculturalista. De acordo a María Lugones, que faz uma denuncia em seu artigo “Multiculturalismo radical e feminismo de mulheres de cor” (2005) onde ela relata sobre o “multiculturalismo ornamental” e os “feminismos brancos burgueses como parte da hegemonia cultural ocidental”. Ela retrata a questão dos feminismos que dizem incorporar as diferenças numa falsa universalização, quando na verdade esse tipo de feminismo enxerga apenas a dominação da mulher branca. Ela cita:
Entretanto,precisamos entender que o feminismo tem várias ramificações que o diferem, às vezes, de uma para a outra, se encontram quanto ao principal propósito que é pela luta por igualdade. Mas, cabe destacar que até no próprio feminismo existe uma luta de classes e, portanto há um notável entrave no que diz respeito ao movimento feminista multiculturalista. De acordo a María Lugones, que faz uma denuncia em seu artigo “Multiculturalismo radical e feminismo de mulheres de cor” (2005) onde ela relata sobre o “multiculturalismo ornamental” e os “feminismos brancos burgueses como parte da hegemonia cultural ocidental”. Ela retrata a questão dos feminismos que dizem incorporar as diferenças numa falsa universalização, quando na verdade esse tipo de feminismo enxerga apenas a dominação da mulher branca. Ela cita:
As feministas brancas burguesas, ao
ignorar a relação entre sua própria formação de gênero e a formação de gênero
das mulheres não-brancas, entendiam a lógica de “mulher” categorialmente: há
somente dois gêneros, e “mulher” tem um significado unívoco. Como vimos acima,
as mulheres brancas burguesas entendiam as particularidades da opressão das
mulheres brancas burguesas como inscritas no próprio significado da categoria
“mulher” […] Dessa forma, compreender a intersecção das opressões de gênero,
classe, sexo e raça nos capacita para reconhecer as relações de poder entre as
mulheres brancas e as de cor. Mas
também nos capacita para ver efetivamente as mulheres de cor sob a opressão ali
onde a compreensão categorial de “mulher”, tanto no feminismo branco
como no patriarcado dominante, oculta sua opressão. (LUGONES, 2005, p. 66-67)
(tradução livre)
Assim sendo, podemos trazer também a discussão sobre, se o desejo de
igualdade e respeito só se aplica as mulheres heterossexuais e de
classe média? Podemos considerar que de acordo as etnias e posição sociais as
mulheres apresentam experiências bastante diferenciadas. De acordo aos
marxistas, é de suma importância que ocorra um movimento na sociedade com o
propósito de modificar a opressão sobre a mulher, por sinal, muito perversa na
materialidade e na discursividade. Devemos
despertar a consciência de classe, promovendo a organização da classe para a
ação, ai está à necessidade de se propagar cada vez mais uma educação histórica
socialista.
Concordam ou
discordam com esta afirmativa?
Repressão sexual da mulher
Ainda sobre o machismo, apresento-lhes outro texto de Fabio Veronesi que
retrata a questão da repressão sexual da mulher, sobre as roupas...
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LUTA CONTRA O MACHISMO
“A luta contra o machismo está
intrinsecamente relacionada à luta contra a repressão sexual porque o
machismo se define a partir de uma moral repressora
da sexualidade espontânea. No machismo arcaico, rudimentar, passado, pré
feminista, encontramos a mulher obrigada a permanecer virgem até o casamento
e depois casada por imposição com um homem a
quem deveria ser fiel. A possibilidade de encontrar plenitude e satisfação
afetiva sexual, dentro das restritas opções que tal quadro impunha, eram
mínimas. Questão de loteria: casar sem ter tido a possibilidade de conhecer
outras pessoas, sem experiência sexual,
com alguém que não se escolheu e obrigada a permanecer nesse lugar, sem
possibilidade de segunda chance.
A tensão entre moralismo repressor da
livre sexualidade e a expressão da mulher é bem expressa na questão das
roupas. A minissaia, o decote, a roupa colante, que valoriza o corpo. A
mulher se veste como quem diz aos homens: corpo existe, desejo existe. Os homens se vestem quase sempre
como robôs. Principalmente o homem capitalista neoliberal, o “homem de
negócios”. As roupas dos homens geralmente
os tornam mais retos, quadrados, escondem suas curvas. O papel clássico do
homem dentro do regime de criação machista é o de repressor da sexualidade
das mulheres.
Tudo isso mudou muito com a revolução feminista
do século passado – uma revolução sexual,
assim como a ancestral revolução de costumes que nos humanizou. A
continuidade dessa revolução no início deste século representa a luta pela
retomada do processo de humanização, rumo a uma sociedade onde seja possível
resgatar a plena capacidade de amar do ser humano. Falar hoje em revolução
sexual significa falar em revolução amorosa, para o amor, pró-amor, no
sentido de promover criação, educação e ambiente social que facilite e
incentive as trocas amorosas em todos as esferas relacionais.”
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Sobre o Feminismo Marxista
Agora
trago um belíssimo texto de Chris Harman sobre a importância de se entender o
feminismo marxista.
Marxismo e Feminismo
Chris Harman
Existem duas diferentes de abordar a questão da liberação das
mulheres: o feminismo e o socialismo revolucionário. O feminismo é a
influência dominante nos movimentos de mulheres que emergiram nos países
capitalistas avançados durante os anos 1960 e 1970. Parte da visão de que os
homens sempre oprimiram as mulheres; que é a constituição biológica e
psíquica dos homens que os fazem tratar as mulheres como inferiores. Isto
leva à ideia de que a libertação das mulheres só será possível separando-as
dos homens; é a separação total daquelas feministas que falam de um «estilo
de vida liberado», ou da separação parcial das mulheres em comissões de
mulheres ou em reuniões que não sejam mistas.
Muitas daquelas que apóiam esta separação parcial consideram a si
mesmas como feministas socialistas. Mas, depois, as ideias feministas
radicais da total separação fizeram a sua aparição nos movimentos das
mulheres. Estas ideias, com o tempo, tiveram menos eco, para finalmente serem
defendidas por uma pequena minoria. Estas falhas levaram muitas feministas
para outra direção: para o Partido Socialista. Elas acreditavam que colocando
mulheres em cargos como deputados, permanentes sindicais ou vereadores, iriam
de alguma forma ajudar as mulheres a alcançar a igualdade.
A tradição do socialismo revolucionário parte de uma perspectiva
diferente. Marx e Engels, em escritos que datam de 1848, mostraram
que a opressão sobre as mulheres não surgiu da cabeça dos homens, mas do
desenvolvimento da propriedade privada e, com ele, da emergência de uma
sociedade de classes. Para eles, a luta pela emancipação das mulheres é
inseparável da luta pelo fim da sociedade de classes, isto é, da luta pelo
socialismo.
Marx e Engels também fizeram notar que o desenvolvimento do
capitalismo, baseado nas fábricas, trouxe profundas mudanças na vida das
pessoas e, especialmente, na vida das mulheres. Foram reintroduzidas na
produção, de onde tinham sido progressivamente excluídas com o
desenvolvimento da sociedade de classes.
Isto deu às
mulheres um potencial de luta que nunca antes tiveram. Organizadas
coletivamente, as mulheres como trabalhadoras tinham maior capacidade e
independência de lutar pelos seus direitos. Isto significava um enorme
contraste em relação às suas vidas anteriores, quando o seu principal papel
na produção, cuidando da família, as tornava completamente dependentes de
seus maridos ou pais.
Disto, Marx e Engels concluíram que as bases materiais
para a existência da família e, portanto da opressão das mulheres, já não
existia. O que impedia as mulheres de se beneficiarem desta situação era que
a propriedade permanecia nas mãos de uns poucos. O que mantém as mulheres sob
opressão hoje é como o capitalismo está organizado, em particular, o modo
como o capitalismo usa a família para garantir que os trabalhadores procriem
uma nova geração de trabalhadores. Do ponto de vista da classe dominante é
muito vantajoso pagar os homens (e cada vez mais mulheres) pelo seu trabalho,
enquanto as mulheres permaneçam, gratuitamente, trabalhando para que os homens
fiquem em condições de irem ao seu trabalho e que e que os seus filhos sejam
criados por elas para fazer o mesmo.
A sociedade socialista, pelo contrário, tomará conta de muitas das
funções que pesam sobre as mulheres.
Isto não
significa que Marx e Engels e os seus sucessores vieram a
desejar “a abolição da família”. Os defensores da família têm sido capazes de
mobilizar uma parte significativa das mulheres mais oprimidas que podem
entender como “abolição da família” dar licença aos maridos para abandoná-las
com as responsabilidades com as crianças. Os socialistas revolucionários têm
tentado sempre mostrar que, ao contrário, numa sociedade socialista, as
mulheres não seriam obrigadas à vida miserável que lhes dá a família moderna.
As feministas sempre rejeitaram esse tipo de análise. Longe de se
aproximar às mulheres quando têm o poder de mudar a sociedade e acabar com a
sua opressão - ali onde elas são coletivamente fortes, no trabalho — elas as
entendem como vítimas. No início dos anos 80, por exemplo, foram feitas
campanhas que abordavam questões como a prostituição, as violações ou a
ameaça das armas nucleares sobre as mulheres e as famílias. Tudo isso parte
da ideia de que as mulheres são fracas.
O feminismo pressupõe que a opressão está acima da divisão da
sociedade em classes. Isto leva à conclusões que deixam o sistema intacto,
enquanto melhoram a situação de algumas mulheres, uma minoria. Os movimentos
de libertação das mulheres foram frequentemente dominados por mulheres da “nova
classe média”, jornalistas, escritoras, professoras e executivas, enquanto
secretárias e obreiras são deixadas de lado.
É apenas durante períodos de mudança radical e explosões
revolucionárias que a questão da libertação das mulheres torna-se realidade,
não apenas para uma minoria, mas também para todas as trabalhadoras. A
Revolução Bolchevique de 1917 produziu uma igualdade como nunca antes se
vira. O divórcio, o aborto e a contracepção estavam livremente disponíveis. A
educação das crianças tornaram-se responsabilidade da sociedade. Iniciou-se a
utilização de restaurantes, lavanderias e infantários comunitários, que davam
às mulheres maior possibilidade de escolher e controlar as suas vidas. Claro
que o destino destes avanços não poderia ser separado do da própria
revolução. A fome, a guerra civil, a dizimação da classe obreira e o fracasso
da revolução internacional significaram o fim do socialismo na Rússia. Os
avanços foram revertidos.
Mas os primeiros anos da República Soviética mostraram o que a revolução
socialista pode conquistar, até mesmo nas piores condições. Hoje em dia, as
perspectivas para a libertação feminina são ainda melhores. Na França e igual
nos outros países desenvolvidos, mais que dos trabalhadores em cinco são
mulheres. A emancipação das mulheres só poderá ocorrer através do poder
coletivo da classe operária. Isto significa rejeitar a ideia feminista de
criar organizações separadas de mulheres. Só os trabalhadores, homens e
mulheres, atuando em conjunto num movimento revolucionário poderão destruir a
sociedade de classes e com ela a opressão sobre as mulheres.
|
https://www.marxists.org/portugues/harman/1979/marxismo/cap12.htm: acessado
em: 10/07/2018
O que é o machismo?
"Julgamos ser fecunda a ideia de que a vida social deve ser explicada, não pela concepção que tem a seu respeito os que participam nela, mas por causas profundas que escapam à consciência"
Durkheim
Considerando o pensamento de Durkheim quando ele reconhece a Marx o mérito de explicar a sociedade mostrando a ilusão da transparência. Isso acontece quando pensamos estar consciente da realidade quando na verdade apenas temos ilusões. Por isso a necessidade e suma importância da educação e pesquisa para esclarecimento e ressignificação de conceitos pré estabelecidos em nós, muitas vezes sem nenhum fundamento ou baseado em fundamentos equivocados.
Sendo assim apresento a vocês um breve resumo sobre o que é o machismo considerando o texto de Tatiane Lima (Estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.)
Sendo assim apresento a vocês um breve resumo sobre o que é o machismo considerando o texto de Tatiane Lima (Estudante de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.)
A
origem da opressão às mulheres, está na divisão da sociedade em classes
A submissão social das mulheres não
é uma lei natural, o único resultado possível das relações humanas e nem é
a-histórica, como tentam defender alguns setores fundamentalistas e conservadores.
A opressão às
mulheres se insere na história da luta de classes e possui bases materiais.
Em 1884, o revolucionário alemão Friedrich Engels afirmou, através do seu
livro A
origem da família, da propriedade privada e do Estado, que a opressão à
mulher tem uma origem, ou seja, que não existiu sempre, baseado nos estudos
de seu companheiro Karl Marx, também revolucionário alemão.
Esse é um livro
bastante criticado nos círculos acadêmicos, sobretudo na área da
Antropologia, por conter algumas classificações imprecisas, que propagam a
noção de “evolução social”, o que coloca o desenvolvimento humano uma linha
histórica padronizada e sem considerações às diversidades culturais. Essas
classificações expressam a influência das ideias mais “eurocentradas” da
época, no século XIX, que tinham Lewis Morgan como um dos principais
representante do que foi chamado de evolucionismo. No entanto, além dessas
imprecisões não influírem sobre o conteúdo fundamental da discussão de
classes, Engels é dialético em sua observação a respeito da análise de
Morgan: “(...) e sua classificação permanecerá em vigor até que uma riqueza
de dados muito mais considerável nos obrigue a modificá-la”, bem como sua
análise materialista nos permite compreender as origens da opressão e permanece
válida.
As
bases materiais da Opressão: Da propriedade comum à propriedade privada
Segundo Engles, a
organização social tinha por objetivo, na sociedade sem classes e sem o
Estado, garantir a existência dos membros do grupo. O desenvolvimento dos
meios de produção era completamente associado à aquisição de alimentos e
reprodução da vida. Ambas tarefas eram vitais ao grupo social, suas
aquisições e produções eram propriedade de todos os membros, eram
“propriedade comum”.
Engels aponta que a
primeira divisão social do trabalho, o pastoreio, gerou a primeira divisão da
sociedade em classes. A criação de animais permitiu a maior produção de
alimento, maiores quantidades de carne, leite, lãs e peles, que gerou o
acúmulo de um “excedente” na produção. O trabalho humano produziu além do
necessário à existência, isso permitiu pela primeira vez a troca regular de
produtos e, ao mesmo tempo, exigiu uma soma maior de trabalho diário que foi
suprida através da escravidão dos prisioneiros das guerras. Nasce então a
relação entre senhores e escravos, entre exploradores e explorados.
Com o
desenvolvimento da criação de animais, houve uma importante transformação na
família. A providência da alimentação era “um assunto do homem”, bem como a
ele pertenciam os instrumentos produzidos para isso, assim como pertenciam às
mulheres os utensílios e ferramentas domésticas. Com os rebanhos como nova
fonte de alimentos e utilidades, estes, bem como as mercadorias e escravos
que obtinha em troca deles, todo o excedente da produção, passou a ser de
posse do homem. A mulher tinha participação no consumo, porém não na
propriedade, que agora era privada. Como afirmou Engels “O
pastor, envaidecido com a riqueza, tomou o primeiro lugar, relegando a mulher
para o segundo. E ela não podia reclamar. A divisão do trabalho na família
havia sido a base para a distribuição da propriedade entre homem e mulher.
Essa divisão do trabalho na família continuava sendo a mesma, mas agora
transtornava as relações domésticas, pelo simples fato de ter mudado a
divisão do trabalho fora da família”.
Essa transformação
material, o advento da propriedade privada, levou a transformações sociais
profundas e a antagonismos nas relações que antes se davam sem uma hierarquia
de valores. O homem acumulou riquezas e poder, elevando a sua posição nos
âmbitos sociais de produção da vida a um status “superior”, enquanto a vida
das mulheres ficou relegada aos âmbitos privados e o trabalho doméstico
subvalorizado. Estamos então diante do patriarcado, a forma de opressão e
confinamento das mulheres em relação aos homens.
Patriarcado
e Capitalismo
A opressão às
mulheres não surgiu no capitalismo, mas adquiriu neste modo de produção
traços particulares. O capitalismo converteu o patriarcado em um aliado
indispensável para a exploração e a manutenção do status quo (manutenção da
situação de dominação estável). O capitalismo, baseado na exploração e
opressão de milhões de pessoas no mundo inteiro, introduziu as mulheres e as
crianças em sua maquinaria de exploração.
As mulheres passaram então a ser
parte da produção social da vida quando inclusas no mercado trabalhista, mas
as bases ideológicas e materiais da opressão permaneceram. As mulheres seguem
inferiorizadas enquanto seres humanos, elas são as maiores responsáveis pelos
cuidados da casa e dos filhos e recebem salários menores que os dos homens
para a realização do mesmo trabalho. Também a ação enquanto sujeito social
permanece em grande escala nas esferas masculinas, já que é reforçada a falsa
concepção de que as mulheres são inferiores e sua opinião não interessa.
|
http://www.esquerdadiario.com.br/A-origem-da-opressao-as-mulheres-esta-na-divisao-da-sociedade-em-classes
Acessado em: 18/07/18
Sobre o Blog
O propósito deste blog é trazer uma discussão relativa ao machismo feminino, considerando que, devido essa ideologia esta já há tanto tempo inserida em nossas sociedades, por vezes não percebemos que nós mulheres estamos reproduzindo este discurso machista tão cruel. Como isto ocorre? Mulheres podem agir como um machista?
Infelizmente, posso afirmar que sim. Esta ideologia
perversa vem se perpetuando ao longo dos anos, fazendo parecer que é algo que existiu
desde sempre e para sempre. Sendo assim, algumas gerações absorveram de tal
forma esta maldição que reproduzem inconscientemente, e às vezes conscientemente,
para as novas gerações. O que devemos entender é que nossa luta não é contra
pessoas e sim contra um sistema cruel, uma ideologia capitalista perversa e
separatista. Assim sendo, entendo que é possível acabar com o machismo, compreendendo
que a questão não é aniquilação dos homens, discordo totalmente dessa ideia e
de pensar que ser feminista seja uma questão de disputa entre sexos, para mim
isso não é ser feminista, é apenas uma reprodução do machismo. Portanto, penso
que para acabar com o machismo, é de suma importância considerar que o único
caminho é o caminho da educação para compreender a questão de lutas de classes.
Para isso, devemos conhecer a história do machismo, conhecer o que é e qual a
real finalidade do feminismo, considerando uma perspectiva marxista.
Mas, vamos voltar à pergunta acima? Como percebemos
atitudes machistas no publico feminino? Nós mulheres somos submetidas
diariamente a uma porção de exigências, cobranças, julgamentos, assédios por
todos os lados... Através da mídia, pelo capitalismo através dos shoppings,
supermercados nos empurrado goela abaixo a ditadura da beleza. Determinando
como temos que ser e agir, qual o corpo ideal, o modo de vestir, o tipo de
cabelo ideal, etc. E o mais cruel foi à criação de competição que criaram entre
nós mulheres para nos autodestruir. A partir do momento que chamamos umas as
outras de vagabundas, fúteis, gordas, feia, entre outros termos pejorativos,
estamos reforçando e alimentando o machismo. Quando julgamos as outras mulheres
pondo em duvida sua capacidade intelectual tecendo comentário como: “se ela
conseguiu destaque profissional, provavelmente se envolveu sexualmente com o
chefe”, infelizmente ouvimos isso de mulheres também... quando julgamos outras mulheres pela maneira como elas se relacionam com seus maridos,
namorados... quando passamos horas e horas criticando violentamente as escolhas
de nossas amigas em relação ao parto, a quantidades de filhos que optou em ter,
ou não querer ter filhos,a opção de casar ou não, a forma que gasta seu
dinheiro, ou por exemplo, aquela que optou em deixar de trabalhar para cuidar
da casa do filho e marido, por que não?
Ou aquela que continua trabalhando e deixa seus filhos com babá... A
triste realidade é que muitas mulheres não pensam duas vezes antes de destruir
a autoestima de uma semelhante. Devemos considerar que é uma atitude extremamente
machista essa tentativa de destruir a autoestima de outra mulher. Esta mais que
na hora de acabarmos com o machismo, para isso, acredito eu, é necessários
começarmos desconstruindo esse pensamento na cabeça das mulheres através do
conhecimento sobre o fato, em seguida empoderando-as!
Para
finalizar este breve contexto, é relevante trazer também a questão de como
reproduzimos o machismo na criação de nossas crianças. Fazemos isso no dia a
dia quando repetimos para nossas crianças frase como: "Homem tem que ser
cavalheiro com as mulheres", o que se deve ser ensinado é que todos os homens devem tratar as mulheres da
mesma forma que devem tratar qualquer outra pessoa com respeito e gentileza,
não é questão de ser cavalheiro ou não, é questão de ser humano com iguais
direitos. Outra questão é quando diz ao menino: "Seja
homem" ou “Homem não chora”, esses tipos de afirmativas
impõe a criança que ela se comporte com agressividade e fazendo uso de poder,
inibindo seus mais simples sentimentos, devemos entender que cada ser humano
tem características próprias, únicas e deve ter a possibilidade de se expressar
da maneira que preferir. Também quando dizemos as nossas meninas: "Meninas
devem se dar o respeito", vamos entender de uma vez por todas que todo e
qualquer cidadão tem o direito a ser
respeitado e o dever de respeitar o outro independentemente de sexo. E não cabe
a ninguém julgar atitude, roupa ou postura de uma mulher.
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Agora trago um belíssimo texto de Chris Harman sobre a importância de se entender o feminismo marxista. Marxismo e Feminismo C...
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O propósito deste blog é trazer uma discussão relativa ao machismo feminino, considerando que, devido essa ideologia esta já há tant...



