O propósito deste blog é trazer uma discussão relativa ao machismo feminino, considerando que, devido essa ideologia esta já há tanto tempo inserida em nossas sociedades, por vezes não percebemos que nós mulheres estamos reproduzindo este discurso machista tão cruel. Como isto ocorre? Mulheres podem agir como um machista?
Infelizmente, posso afirmar que sim. Esta ideologia
perversa vem se perpetuando ao longo dos anos, fazendo parecer que é algo que existiu
desde sempre e para sempre. Sendo assim, algumas gerações absorveram de tal
forma esta maldição que reproduzem inconscientemente, e às vezes conscientemente,
para as novas gerações. O que devemos entender é que nossa luta não é contra
pessoas e sim contra um sistema cruel, uma ideologia capitalista perversa e
separatista. Assim sendo, entendo que é possível acabar com o machismo, compreendendo
que a questão não é aniquilação dos homens, discordo totalmente dessa ideia e
de pensar que ser feminista seja uma questão de disputa entre sexos, para mim
isso não é ser feminista, é apenas uma reprodução do machismo. Portanto, penso
que para acabar com o machismo, é de suma importância considerar que o único
caminho é o caminho da educação para compreender a questão de lutas de classes.
Para isso, devemos conhecer a história do machismo, conhecer o que é e qual a
real finalidade do feminismo, considerando uma perspectiva marxista.
Mas, vamos voltar à pergunta acima? Como percebemos
atitudes machistas no publico feminino? Nós mulheres somos submetidas
diariamente a uma porção de exigências, cobranças, julgamentos, assédios por
todos os lados... Através da mídia, pelo capitalismo através dos shoppings,
supermercados nos empurrado goela abaixo a ditadura da beleza. Determinando
como temos que ser e agir, qual o corpo ideal, o modo de vestir, o tipo de
cabelo ideal, etc. E o mais cruel foi à criação de competição que criaram entre
nós mulheres para nos autodestruir. A partir do momento que chamamos umas as
outras de vagabundas, fúteis, gordas, feia, entre outros termos pejorativos,
estamos reforçando e alimentando o machismo. Quando julgamos as outras mulheres
pondo em duvida sua capacidade intelectual tecendo comentário como: “se ela
conseguiu destaque profissional, provavelmente se envolveu sexualmente com o
chefe”, infelizmente ouvimos isso de mulheres também... quando julgamos outras mulheres pela maneira como elas se relacionam com seus maridos,
namorados... quando passamos horas e horas criticando violentamente as escolhas
de nossas amigas em relação ao parto, a quantidades de filhos que optou em ter,
ou não querer ter filhos,a opção de casar ou não, a forma que gasta seu
dinheiro, ou por exemplo, aquela que optou em deixar de trabalhar para cuidar
da casa do filho e marido, por que não?
Ou aquela que continua trabalhando e deixa seus filhos com babá... A
triste realidade é que muitas mulheres não pensam duas vezes antes de destruir
a autoestima de uma semelhante. Devemos considerar que é uma atitude extremamente
machista essa tentativa de destruir a autoestima de outra mulher. Esta mais que
na hora de acabarmos com o machismo, para isso, acredito eu, é necessários
começarmos desconstruindo esse pensamento na cabeça das mulheres através do
conhecimento sobre o fato, em seguida empoderando-as!
Para
finalizar este breve contexto, é relevante trazer também a questão de como
reproduzimos o machismo na criação de nossas crianças. Fazemos isso no dia a
dia quando repetimos para nossas crianças frase como: "Homem tem que ser
cavalheiro com as mulheres", o que se deve ser ensinado é que todos os homens devem tratar as mulheres da
mesma forma que devem tratar qualquer outra pessoa com respeito e gentileza,
não é questão de ser cavalheiro ou não, é questão de ser humano com iguais
direitos. Outra questão é quando diz ao menino: "Seja
homem" ou “Homem não chora”, esses tipos de afirmativas
impõe a criança que ela se comporte com agressividade e fazendo uso de poder,
inibindo seus mais simples sentimentos, devemos entender que cada ser humano
tem características próprias, únicas e deve ter a possibilidade de se expressar
da maneira que preferir. Também quando dizemos as nossas meninas: "Meninas
devem se dar o respeito", vamos entender de uma vez por todas que todo e
qualquer cidadão tem o direito a ser
respeitado e o dever de respeitar o outro independentemente de sexo. E não cabe
a ninguém julgar atitude, roupa ou postura de uma mulher.
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